O desfralde da Caetana

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Não sei exatamente se desfralde será a palavra certa para descrever o que aconteceu aqui em casa. Para mim desfralde é um processo e, aqui em casa, aconteceu um momento em que se deixaram as fraldas em prol das cuecas.

A Caetana adora vestidos. Vestidos com fralda estava a deixar de ser prático. Aconteceu mesmo ela sair do sofá a escorregar e, ao pousar os pés no chão percebemos que a fralda tinha ficado para trás, colada ao sofá.

Comprei 1 par de cuecas para experimentar colocar por cima da fralda para segurar.
Continuou a não ser prático porque o tamanho da cueca era o da Caetana – sem fralda – como era novidade eu não sabia exatamente que tamanho comprar porque Caetana é uma criança de cintura fininha, que veste sempre tamanhos abaixos.
O pai chegou e comentou ‘uau, cuecas como a mãe!’ e eu respondi que não tinha nada a ver.. Ela tinha cuecas para segurar a fralda, só isso. Sempre defendi que não a queria apressar, que a deixaria levar o seu tempo.
Mas eis se não quando ela responde – incomodada por se estar sempre a puxar cueca e fralda para cima – que queria usar só cueca, sem fralda!

outubro de 2019 – imitação

Eu reforcei que sim, podia, mas teria que ir à sanita sempre que quisesse fazer xixi e cocó. No entanto, como as cuecas foram compradas para utilizar por cima da fralda não estavam lavadas. Combinámos por na máquina e usar à tarde, depois de secas.
Nesse dia já fez a sesta de fralda cueca, para poder tirar para ir ao wc, se lhe apetecesse.
E assim foi, depois da sesta e do lanche, as cuecas já estavam prontas a utilizar.

O entusiasmo inicial deu logo origem a um xixi no penico e, logo a seguir um mini acidente: Pouco depois do xixi no penico foi ter comigo ao wc. Perguntei se queria fazer novamente, disse que não mas começou a brincar com água.
Eu estava distraída, ouvi água a cair e comecei ‘Caetaaaana, filhaaa.. pensado que tinha entornado.
Levanto os olhos ao mesmo tempo que oiço ‘Oh-oh, disculpa, mãe’, sai de cima da poça para o outro lado do bidé e continua a brincar como se nada se tivesse passado.

E aí a minha atitude mudou radicalmente, porque afinal não tinha entornado nada: ‘Ah! Ok, não faz mal, pensei que tinhas virado a chávena de água para o chão. Afinal foi mesmo xixi, não faz mal nenhum. Acontece quando estamos a mexer em água. Por isso é que perguntei se tinhas a certeza que não querias fazer xixi.. Mas não faz mal, já limpo.’ [assim expliquei o que aconteceu e que não havia nada de errado, são coisas que acontecem].

Claro que as cuecas foram novamente para o estendal (lavei à mão) mas ficou de fralda cueca, mantendo a possibilidade de continuar a ir ao penico. Entretanto já tínhamos estado a encomendar cuecas e um penico novo – que não era nada do que eu pretendia mas serviu para umas boas gargalhadas que ficam para outro artigo – para levar para o local onde temos a piscina dela e assim.

Desde esse dia teve apenas um verdadeiro acidente de fazer pelas perna abaixo a brincar e outro em que correu porque já tinha “um cadinho de cocó nas cuecas” e afinal já estava lá todo.
Uma coisa que percebi na Caetana, nos primeiros dias, era que entre pedir e fazer dava tempo de reagir com xixi. Com cocó não dava. Era pedir e literalmente correr!

Este foi o desfralde da Caetana, literalmente da manhã para a tarde. Porque nunca foi pressionada a deixar a fralda. Levou o tempo que quis. Não fomos nós que lhe tirámos a fralda, nunca a sentámos no penico sem que ela dissesse que sim, nunca forçámos nada. E, quando se sentiu preparada, foi ela própria deixou a fralda e pediu as cuecas!


Agora que já contei os momento em que deixou de usar fraldas acordada, vamos recuar à imitação que aconteceu cerca de um ano antes.
Caetana experimentou o penico perto de fazer os 2 anos de idade.
Via-me na sanita e começou a pedir – imitação pura! Houve uma altura em que era super certinha em acordar e fazer xixi assim que lhe mudava a fralda então, tentando poupar uma fralda, assim que acordava eu perguntava logo se queria ir fazer (aceitou algumas vezes, depois deixou de querer e entretanto passou também a não ser tão certa nesse xixi matinal).

Regressou à creche em finais de agosto e percebi que alguns colegas já andavam a tirar a fralda. Falei com a educadora dela dizendo que eu achava que ela quereria fazer o mesmo por imitação mas se não quisesse tudo bem na mesma que eu em casa não iria tentar nada, deixar-me-ia levar pela sua vontade.

O que acontecia era que, na creche, Caetana aceitava sempre ir à sanita na hora de mudar a fralda – já que parava de brincar para mudar a fralda, sentava-se na sanita – mas nunca pedia durante o dia e até dizia que não se lhe perguntassem. Em casa isso só costumava acontecer quando se despia para tomar banho e, uma vez ou outra, antes de mudarmos a última fralda (e só se perguntássemos).

Eu achei um ato de esperteza: Experimentou, percebeu que dá trabalho parar de brincar, despir e vestir, então preferiu continuar de fralda.
E assim continuou até ao dia em que vos contei que pediu as cuecas, já perto dos 3 anos.

a poupança de uma fralda matinal

Quando pediu as cuecas ela já sabia o que isso implicava.
Nos primeiros dias facilitei um pouco o processo e tivemos o penico e o papel higiénico na sala, para evitar que Caetana pudesse arrepender-se novamente da sua decisão ou tentasse aguentar (porque pior que acidentes são as infeções urinárias).

Depois passei a normalizar, o penico voltou para o seu lugar e Caetana vai à casa de banho. Na primeira tarde e no dia seguinte perguntei muitas vezes se queria ir fazer xixi. Depois deixei-me disso porque acontecia muito ela dizer que não e, passado uns minutos, ter a iniciativa de pedir ou dizer já a caminho da casa de banho. Agora já só estou atenta a atos de preguiça, como vê-la a contorcer muito as pernas ou, o mais comum: começar a agarrar-se no meio das pernas. Isto acontece por tentar aguentar-se para não parar no momento. Por vezes, pede para ir mas não vai logo, distrai-se pelo caminho e acaba por fazer no chão da casa de banho.

Entretanto pediu uma ou duas vezes para fazer na nossa sanita por isso agora tem penico e também redutor e banco no wc. Ela ia sozinha, escolhia, fazia e depois chamava para limpar. Nos primeiros dias adorou o redutor, agora prefere o penico, que é mais prático.

felicidade a estrear o redutor

Duas semanas depois apanhei-a a despejar o penico e até já se limpou – claro que o ‘já se limpou’ é meio brincadeira: Ela foi ao wc e não me chamou. Quando apareceu e perguntei ‘então e não me chamaste para limpar?’ disse que tinha despejado o penico [isso fez mesmo que eu ouvi] e que se limpou com o papel que a mãe limpa. Quando é xixi não me faz confusão e de facto ela limpa qualquer coisa, cocó ela sabe que tem que chamar e não se pode limpar sozinha.

E tudo isto é normal porque eles querem imitar-nos e Caetana via-me sempre despejar o penico após utilização. Fisicamente é-lhe fácil então é o que ela faz.

Nunca foi pressionada. Ouvia conversas minhas e do pai em que o pai achava que estava ‘na idade’ e que ela deveria fazer nas pernas para perceber (há muita gente que ainda defenda esta teoria: o adulto não comenta nada de mal mas eles, ao sentirem-se molhados ficam incomodados e percebem que têm que ir ao penico). Mas também me ouvia a mim dizer que não precisava de nada disso. Que ela já tinha percebido o que era ir ao wc e por isso não quis e logo haveria de chegar o momento de querer.

Também lhe contei casos que conheço em que os pais tentaram tudo e mais alguma coisa e não resultou. Um mês ou dois depois de os pais pararem de pressionar, as crianças decidiram tirar a fralda e tiraram, simples assim e também sem acidentes!

uma das idas ao wc sozinha

Para dormir sestas e noites colocamos fralda cueca. Caetana tem-se deitado bastante antes de adormecer e ainda vai muito à casa de banho. Fralda cueca dá a mesma autonomia que a cueca enquanto acordada e previne acidentes a dormir.

O que me surpreendeu foi Caetana acordar de madrugada para ir fazer xixi. Também já fez de noite, na fralda cueca, mas tem sido raro. Shame on us que, numa noite, a miúda pediu para ir fazer xixi e tanto eu como o pai (ambos meio a dormir) dissemos para continuar a dormir, claro que de manhã tinha na fralda cueca.

Acidentes podem acontecer mas não são parte obrigatória do processo.

Não há truques! É dar-lhes tempo. Não comparar com outras crianças porque todos somos diferentes e cada criança tem o seu tempo.

Lembrem-se sempre que a fralda não deve nunca ser retirada pelo adulto. A fralda deve ser deixada pela criança, quando se sentir preparada, não existe ‘idade para tirar a fralda’, esqueçam isso!

O único ‘truque’ é facilitar já depois de deixarem a fralda: deixar o penico mais próximo e ir perguntando se querem fazer alguma coisa, durante o tempo que acharem necessário.

Carolina Valente Pereira

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