Como adaptar a casa a uma criança de ano e meio?

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Não protegemos a casa para a Caetana. Por outro lado, gosto de afirmar que adaptámos a casa, isso sim! Escondemos um ou outro perigo, ensinámos a Caetana a lidar com os outros.

Dividi este tema em dois artigos: Hoje falo sobre os perigos na sala e na cozinha. No próximo artigo falarei sobre os restantes: casa de banho, quartos, perigos que se encontram em nossa casa, em casas de outras pessoas e em locais públicos (nomeadamente cafés/ restaurantes/ hotéis).

Mesas bicudas

Na sala tínhamos uma mesa de centro, retangular e bicuda. Encostámo-la à mesa da televisão e deixámos de ter bicos no meio da sala, para ter todo um espaço livre para brincar. Além disso, já aconteceu Caetana puxar pela televisão. Graças à mesa de centro estar encostada, a TV ficou apenas tombada, não chegando ao chão e Caetana ficou ao lado, no chão. Ou seja, poupámos 2 acidentes: Caetana não se magoou e a televisão não se estragou.
Se fica bonito? Não, mas fica seguro! E o nosso interesse sempre foi que a nossa filha pudesse circular e brincar livremente na sua própria casa, em segurança!

Adaptar a casa à criança

Janela da marquise

Na marquise as janelas dão-nos por baixo dos joelhos. Dessa forma, a porta de acesso à marquise tem de estar sempre fechada para não haver o descuido de Caetana ir para lá sozinha. Se vou estender roupa (do lado de dentro, no estendal), Caetana pode vir mas a primeira coisa a fazer é fechar a janela. Já a deixei perceber que acima daquela mini parede está a rua, tentou espreitar mas isso não aconteceu, apenas percebeu que é rua e a janela foi de imediato fechada.
Quando tiver mais noção poderá espreitar, acompanhada por nós – não faz sentido não saber o que está do lado de fora. Mas essa noção ainda é inexistente na Caetana.
A própria porta de acesso à marquise tem um problema, que nunca foi arranjado propositadamente. Antes de termos a Caetana dei apoio ao estudo a miúdos de escola primária, cá em casa. Sempre que precisava de ir à casa de banho, os miúdos ficavam sozinhos. Crianças de 10 anos não conseguem abrir aquela porta. No que respeita a crianças todo o cuidado é pouco, por isso a porta nunca foi arranjada pelo apoio ao estudo e um filho no futuro.

Armários e gavetas da cozinha

Para poder dizer à Caetana ‘não mexas aí’, teríamos que ter soluções onde poderia mexer. Na cozinha temos móveis e gavetas ao alcance dela. Assim, a solução passou por colocar os Tupperwares num dos movéis e escolher uma gaveta para o mesmo efeito, onde colocámos alguns brinquedos e acessórios de cozinha com os quais Caetana pode brincar.
Desta forma, quando abre o armário dos produtos de limpeza – sim, mantém-se ao seu alcance – nós explicamos que ali não pode mexer, só no armário do lado. Já aconteceu, por várias vezes, Caetana abrir o armário ‘errado’, mas ela tem noção de que não pode e fica apenas a olhar. Quando chamamos à atenção assusta-se [aquele assustar de ‘ai que fui apanhada’].

Quanto aos tupperwares espalhados, gradualmente começámos a pedir ajuda na arrumação. Caetana foi crescendo e fomos começando a pedir que fosse ela a arrumar, ajudando cada vez menos. Até chegar ao ponto em que espalhava e nós só precisávamos de lembrar que teria que arrumar. Então a brincadeira já era tirar mas também voltar a colocar dentro do armário. Entretanto deixou de ter interesse e já é raro tirar tupperwares.
Com a gaveta acontece a mesma situação. Caetana sabe que não pode abrir a gaveta seguinte porque tem utensílios de cozinha.
Na gaveta mais acima estão os nossos talheres. Quando lá chegar teremos que deixar ver e explicar que talheres não são brinquedo – noção que já começa a ter porque só os vê nos momentos de refeição.

Facas

As facas perigosas – as de cozinhar – estão completamente fora de alcance. Na bancada, o mais encostadas à parede possível. As ‘menos’ perigosas também não estão propriamente ao alcance mas pode acontecer Caetana vê-las e chegar a elas, em cima da mesa, no momento das refeições [e já esteve mais longe de chegar à respetiva gaveta]. Mas, mesmo que lhes pega, basta uma chamada de atenção para que as largue.
Não por ser super educada e/ou respeitadora do que lhe dizemos. Porque é uma questão de hábito e de ter noção de que, quando pode ser, deixamos mexer – não nas facas, aí não há exceção, no geral – quando dizemos que não é porque não pode mesmo.

Forno

Felizmente é suficientemente recente para não representar perigo.
Confesso que não sabia. Li sobre isso algures noutro blog – tinha a Caetana meses – e, quando o voltámos a ligar, fui de imediato verificar e informar o meu marido de que os fornos mais recentes já não aquecem ao ponto de queimar, precisamente como forma de proteção a favor das crianças.
Temos de ter atenção quando o abrimos para retirar comida. Se Caetana estiver na cadeira de refeição não há qualquer problema. Se andar no chão, sabemos que vai querer ver o que estamos a fazer e, nesse caso, deixamos que veja, mantendo uma distância segura.

Torre de aprendizagem Montessoriana

Das compras que mais nos agradaram até hoje. Para quem não conhece, esta torre serve para colocar a criança à altura da bancada da cozinha, de forma segura.

No entanto, não nos podemos esquecer de que, com a sua ajuda, a criança está realmente à altura da bancada. Temos de verificar se afastámos todos os perigos antes de deixar a criança subir.
A partir do momento em que a criança chega ao lavatório, não poderá encontrar facas nem outros objetos cortantes/ perigosos.
A torre também não deve ser colocada junto ao fogão – para que a criança não brinque com os respetivos botões – muito menos enquanto está a ser utilizado.
Por outro lado, no caso da Caetana, ainda não tem a concentração necessária para ‘ajudar a cozinhar com calma e paciência’ portanto é sempre preciso estar atentos, a qualquer momento pode farta-se e tentar usar a torre como objeto para trepar ou encostar-se demasiado, correndo o risco de se desequilibrar.
Outra chamada de atenção tem que ver com a sua arrumação.

Adaptar a casa à criança

Para arrumar a torre temos duas opções: Arrumar fora do alcance da criança ou explicar-lhe que não se utiliza a torre naquele local. Dois aspetos que falharam antes desta fotografia.
A Torre estava encostada à vista e nós deixámos que Caetana subisse. A ficha também está visível, sim, e perceberão porquê no próximo artigo. Como é percetível Caetana não se interessou pela ficha, mas sim pelo desafio de passar da torre para a cadeira de refeição. Se algo tivesse corrido mal a culpa nunca seria da torre, mas sim minha [e acho que o pai também estava presente] que não a arrumei de forma correta.

Cadeiras

Sempre que possível, arrumadas na mesa. Assim, nem que estejamos noutra divisão da casa, ouvimo-las ser arrastadas e conseguimos chegar a tempo de evitar que a criança suba sem supervisão.
Na fotografia seguinte verão Caetana a brincar na mesa. Estava de pé numa cadeira, sob supervisão. E sim, entre outras coisas, brincava com os protetores de fichas [que nunca chegaram a ser utilizados].

Adaptar a casa à criança

O que acho que ajudou a este resultado foi o facto de Caetana perceber que os sítios permitidos são muito mais do que os proibidos.

Além disso, perceber também que onde dizemos que não pode mexer, ela não pode mesmo! Mas tem opções por perto. Nunca houve exceções nas facas nem no armário dos detergentes. Temos lá vinagre [normal, de consumo] para utilizar nas limpezas. Nem nesse deixamos mexer, porque queremos que a Caetana associe que não pode mexer em absolutamente nada daquele armário.
Apesar de Caetana não ter exatamente a noção de perigo, já percebeu que ali não é seguro mexer.

Carolina Valente Pereira

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