Saudades da barriga?

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Muitas mães têm saudades da barriga.
Diziam-me muitas vezes ‘vais ver que depois também vais ter saudades’.

Já lá vão 13 meses [quase 14] e nada dessas saudades.

Saudades de encolher a Caetana por um dia ou dois sim, voltar a tê-la pequenina, segurá-la a dormir  num só braço, caber toda uma Caetana enroladinho no peito.
Dentro da barriga não.

Lá dentro é muito bom senti-los mexer mas também é muito aflitivo quando estão demasiado quietos. Cá fora choram e, mesmo não sabendo de imediato de que precisam, sabemos que precisam de algo a vamos tentando até descobrir o que se passa.
Lá dentro não sabemos de nada. Estar quieto pode ser normal, como acontece tantas vezes, mas pode algo estar errado e não percebemos.
Cá fora dormem quietinhos mas podemos confirmar se respiram.
Lá dentro nunca sabemos exatamente o que se está a passar.

Às 38 semanas fui verificar se estava a perder líquido porque, na realidade, transpirava imenso e tinhas as cuecas húmidas muitas vezes. O médico foi impecável ao querer descartar problemas. Não fosse a ecografia por descargo de consciência e nem é bom pensar no que poderia ter acontecido.
É que apesar de não estar a perder líquido, na realidade também não o tinha. Não se sabe se o perdi ou deixei de produzir.
Foram 9 meses com medo que algo corresse mal. 9 meses a desejar tê-la cá fora a chorar sempre que precisasse de algo.

Gosto de rever fotos mas, se pudesse recuar no tempo, o limite seria 9 de agosto de 2017 à tarde, já em casa.
No hospital o sistema nervoso e a epidural deram-me dias péssimos cheia de dores na cervical. Dores essas que acalmaram imenso com a chegada a casa.
O facto de não ter horários para nada, só interessava a Caetana ir comendo de 3 em 3 horas e nem isso acontecia porque a miúda não tinha essa fome. Bebia o leite quando pedia!

No hospital havia horas para o banho da mães, horas para o banho dos bebés , horas para a mãe almoçar, horas para a visita da pediatra.. E as horas das visitas então nem se fala.
Em casa não! Havia sossego e só se comia quando havia fome. Tive dores na cervical durante alguns meses, mas só quando estava mais nervosa e/ou cansada. Não eram dores diárias, não tinha dificuldade em olhar para baixo para mudar uma fralda, como acontecia no hospital.

Carolina Valente Pereira

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