Saímos da nossa zona de conforto – dia 3

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Este era O grande dia. O dia do encontro do HmBookGang, da Helena Magalhães – o nosso motivo para estes dias em lisboa.

O encontro estava marcado para as 18h. Se por uma lado tinha o dia todo para fazer o que bem me apetecesse, por outro não queria que a Caetana se cansasse porque uma criança cansada não aceita tão bem o que dizemos e tem maior tendência para fazer birras.

Num cenário ideal Caetana passaria a tarde a brincar num parque infantil e dormiria a sesta às 18h, hora do encontro, para estar as duas horas a dormir no carrinho ou acordar a meio com ótima disposição. Mas a vida não é um conto de fadas e, por mais estranho que possa parecer, uma criança cansada tem mais dificuldade em adormecer.

Em vez de se encostar e dormir, há uma grande tendência para lutar contra o sono. Principalmente fora de casa, num ambiente diferente e com mais pessoas à sua volta. [A prova disso foi o dia anterior, em que só adormeceu no percurso paragem de metro – casa, quando deixámos de passar por pessoas.]

Portanto acordei sem planos até às 18h. Mais uma vez, entre acordar às 9h e tal, tomar pequenos almoços, estar na ronha e brincar, nada mais fizemos de manhã.

Entretanto o plano passou a ser: dar o almoço à Caetana e sair logo a seguir, passear um pouco para ela adormecer no carrinho e eu e a minha prima almoçarmos ali perto, durante o sono descansado da princesa. Mas Caetana trocou-me as voltas começando a demonstrar sinais de sono a seguir ao almoço. Começou a contrariar tudo o que eu dizia, a mandar-se para o chão, querer bater-me.. Basicamente a dizer-me, à sua maneira, que estando em casa precisava de dormir, mesmo que isso implicasse – como é costume até em nossa casa – extrema dificuldade em adormecer.

Pedi à minha prima que fosse tomar banho porque estando mais alguém que não mãe e/ou pai o assunto ‘adormecer’ simplesmente não acontece e a birra só aumenta. Entre cantar e embalar na ergobaby Caetana adormeceu. Como é tudo uma questão de perspetiva, a minha prima achou que Caetana adormeceu depressa. Eu achei que ela, felizmente, demora 500 anos a tomar banho.

Tudo certo, exceto o nosso almoço. Sair de casa e transferir Caetana para o carrinho era um risco gigante. Acabámos por pedir comida e almoçámos em casa.

Já só saímos para comer um gelado num parque perto de casa para depois seguirmos para o encontro. Mas lisboa sem carro é todo um outro mundo no que respeita a horas. Fomos comer o gelado, Caetana deu 3 ou 4 voltas num escorrega e tínhamos que nos por a caminho para a feira do livro. Chegámos à paragem e lá estava o nosso autocarro. Mas era preciso dar uma corridinha e eu não tinha realmente a certeza se era aquele o autocarro correto, tinha que confirmar primeiro. Sim, era mesmo aquele que tinha acabado de sair por isso só esperando o próximo.

Caetano e o seu lalo

Esperar na paragem do autocarro com Caetana sentada num carrinho não é fácil, mas deixá-la sair seria ainda mais difícil. Valeram-nos duas crianças na mesma paragem, sempre houve alguma distração.

Outra vantagem foi termos ido à feira do livro no dia anterior [e eu ter-me lembrado de verificar onde ficava o espaço da editora 20|20] porque assim já sabia onde era o local do encontro e conseguimos chegar com apenas 15 minutos de atraso.

E chegou então o momento de perceber se realmente tinha tomado uma boa decisão quanto a esta saída. Na verdade nada estava perdido, fosse qual fosse o seu comportamento durante o encontro Caetana já me tinha surpreendido nos dias anteriores.

Mas a verdade é que voltou a surpreender: esteve sempre sentadinha e atenta à conversa do grupo e, no final, ainda foi super tranquila pedir à Helena que autografasse novamente o Raparigas como Nós! Depois desta frase, se eu fosse o pinóquio, teria partido o ecrã do computador com o crescimento do meu nariz.

Sim, Caetana surpreendeu-me mesmo mas, com a idade dela nem 8 nem 80. Portou-se melhor do que eu esperava mas só esteve sentadinha numa pequena parte do tempo: enquanto viu vídeos no youtube! E já foi muito bom ter aceite vê-los nesse bocadinho. Durante o resto do tempo foi ter com a Helena Magalhães que ainda por cima, tinha a Mafalda sentada ao seu lado, com a Roma ao colo – uma cadelinha super amorosa da raça do nosso Óscar e de quem Caetana gostou muito.

Também esteve grande parte do tempo a empoleirar-se nas cordas que vedavam o local onde estávamos, tentando sair para se meter com as pessoas e, principalmente, os animais de estimação que iam passando.

Entre o final do encontro e a assinatura do livro, apareceu uma mascote super amorosa d’O bando das cavernas que se meteu com Caetana. Notando-a apreensiva, a mascote gigante sentou-se e Caetana, vendo-a mais baixinha foi ganhando confiança. Quando dei conta estavam a dançar. A mascote fazia gestos e Caetana imitava à sua maneira. Entretanto ainda foi buscar uma cadeirinha que achou que estava ali para seu usufruto.

Depois dei-lhe o livro Raparigas como Nós e disse ‘vai ali pedir à Helena para o assinar sff’ e Caetana, no alto da sua inocência, aproximou-se da mesa e cheia de confiança começou a chamar, como se a conhecesse desde sempre ‘Oh Lenaaaaa, Lenaaa’.

Resumindo Caetana durante o encontro: não me deixou estar atenta durante todo o tempo – o que é normal – mas também não fez nenhuma birra nem desatou a correr dali para fora portanto o balanço foi mega positivo.

Após o encontro tentei procurar dois ou três livros de que tínhamos falado e que ainda não comprei mas Caetana já não deixou.

A sesta pós almoço acabou por ser mais curta e já passava das 20h, claro que ela já estava cansada e com fome e já não lhe apetecia andar às voltas. Só queria estar fora do carrinho a correr de um lado para o outro, o que era completamente impossível e eu não veria nada na mesma. Comprei dois livros que reconheci à distância e mais alguns para a Caetana e viemos embora, jantar e descansar. Mas não sem antes dar música a quem viajava no mesmo autocarro que nós..

E vocês, arriscavam levar uma criança desta idade para um encontro literário de duas horas?

Se quiserem ler, deixo-vos aqui a ligação dos 3 artigos anteriores a este: O segundo dia fora da nossa zona de conforto; O primeiro dia fora da nossa zona de conforto e as questões que fui tendo nos dias anteriores a esta saída

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Carolina Valente Pereira

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