Saímos da nossa zona de conforto – dia 2

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O dia anterior tinha sido longo portanto Caetana dormiu até perto das 10h.

Entre tomar pequenos almoços e estar na ronha, acabámos por não sair de casa de manhã – o facto de ser um terceiro andar sem elevador, ajuda a que não queiramos andar constantemente a entrar e a sair.

Quase hora de almoço e lembro-me que preciso de uma chave suplente. O primo que vive do outro lado da rua tem essa chave e, felizmente, estava em casa e disponível para um café. Olhando uma segunda vez para o relógio, optei por começar a arrumar tudo o que precisava para passar a tarde toda fora de casa e despachar logo o almoço da Caetana.

Saímos assim: carrinho, carteira, saco da Caetana e casacos.

Depois de Caetana almoçada, o plano era ir buscar a chave e Caetana adormecer no metro, a caminho da feira do livro e entretanto eu comeria qualquer coisa lá perto.

Claro que a sesta fazia parte do plano ideal – não sou rígida com as rotinas mas a sesta a seguir ao almoço é algo que tento ao máximo cumprir para evitar birras posteriores.

Ora já se sabe que planos e crianças é algo que raramente combina e, com tanto movimento Caetana não pregou olho. A sua preocupação era ver tudo o que a rodeava. Felizmente não ficou rabugenta – foi a primeira vez que Caetana não ficou rabugenta sem sesta pós-almoço. Foi-se aguentando no carrinho, meio sentada meio deitada, sempre acordada mas calma. Também foi a primeira vez que aguentou tanto tempo no carrinho. Ia pedindo para sair mas eu explicava que não podia ser e ela acabava por compreender.

Durante o café, também eu mudei os planos quando o meu primo me disse que havia um autocarro que se apanhava à porta de casa e parava praticamente à porta da feira do livro.

Fomos então de autocarro – mais uma novidade para Caetana. Ia olhando para as pessoas que entravam e saíam. Umas paragens depois entrou uma senhora de cadeira de rodas e, como Caetana viajava no carrinho, a senhora ficou mesmo ao nosso lado, na zona de carrinhos e cadeiras de roda.

Caetana tem a mania de ficar a olhar para as pessoas à espera que lhe falem. Neste caso, além de estar mesmo ao lado da senhora, é compreensível que Caetana estranhe um adulto numa cadeira parecida ao seu carrinho, então estava ainda mais fixa. Decidi intervir e dizer ‘Diz olá à senhora..’ Caetana disse e a senhora foi super simpática, não só respondeu como ainda lhe perguntou o nome. E pronto, Caetana continuou com as suas gracinhas, deitou a língua de fora, cantou.. Piadolas que foi fazendo com frequência nas viagens de autocarro e metro.

É normal que as crianças estranhem pessoas em cadeiras de rodas. No caso da Caetana é raro isso acontecer e, portanto, suscita ainda mais curiosidade por parte dela. Eu reajo sempre de forma natural. Quando a Caetana se fixa em alguém, eu peço-lhe que diga ‘olá’ porque sei que é o que espera da outra pessoa: que lhe fale [como vivemos numa vila, é natural cumprimentarmos as pessoas por quem passamos na rua]. Quando se trata de uma pessoa em cadeira de rodas faço exatamente o mesmo, no mesmo tom, para Caetana perceber que é ‘apenas’ mais uma pessoa como todas as outras, mas que se desloca de outra forma. Quando for mais velha explicar-lhe-ei melhor.

A primeira viagem de autocarro

Chegadas à feira do livro comecei por dar uma volta para tentar que houvesse momento de sesta.

O tempo foi passando e chegaram as 16h. Comprámos o livro ‘Noronha, o ouriço com vergonha’ e tirei Caetana do carrinho para ser ela a pedir à autora para o assinar. A Sofia foi uma querida e ainda tentou explorar um pouco mas Caetana não quis, o que é perfeitamente normal dada a sua idade.

Voltar para o carrinho ameaçou ser difícil mas havia muita gente a passar. Como é normal as pessoas vão distraídas e não estão à espera que lhes apareça uma criança deste tamanho aos pés. Ao mesmo tempo Caetana queria um gelado.

Estava calor e ok, podia comer o gelado. Então, mesmo não concordando com tal prática, tive que lhe dizer que só comeria o gelado se fosse sentada no seu carrinho. Eu sei que isso não se deve fazer e é algo que tento evitar, mas andar sem mão a ‘fugir’ pela feira do livro num sábado à tarde é bem pior que uma pequenina chantagem – digo pequenina porque, na verdade, eu já contava dar-lhe o gelado.

Eu fui almoçar e ela comer o seu gelado e achei que seria o melhor momento para ir à primark.

No carrinho andou sempre descalça e na primark fartou-se e tinha que entreter de alguma forma

Uma vez que estava no colombo tinha que a levar ao mini carrossel. Caetana adora cavalos e gosta muito de um vídeo onde aparece uma menina a andar num carrossel idêntico – daqueles enormes. Não me sentiria bem ir ao colombo e não a levar lá. Eu que muito raramente lhe dou moedas para carrinhos do género, desta vez fui lá de propósito e andou 3 vezes.

Acho que nestas decisões [no fundo em todas] é uma questão de bom senso. Eu não lhe dou moedas para o carrinho do supermercado onde vou todas as semanas – ela entra, brinca no carrinho e sai, sem que haja movimento – mas ali vamos quantas vezes por ano? Uma? No máximo duas? Não é um mau hábito, é uma agradável exceção.

Entretanto fez uma espécie de birra – falta de sesta trás consequências – e ainda se meteu num sítio que supostamente estava fechado. Nada de grave nem perigoso, apenas proibido..

Chegou o momento de regressar a casa. Uma hora de metro dá para muita palhaçada:

Saio do metro e verifico que está tudo ok com Caetana, acordadíssima da vida e, apesar do vento, não se quis calçar nem tapar.

Chegamos a casa, eu já estoirada de todo, viro-me para ela, feliz da vida como se de uma festa se tratasse ‘Filha, chegámooooos a casaaaa’ e o cenário era este:

Até ressonava

Caetana adormeceu profundamente entre o metro e a porta de casa – quando deixou de ver movimento à sua volta!

Solução: Ergobaby [mochila ergonómica], fechar carrinho e subir então os três andares com uma dorminhoca ao peito.

Deixo-vos a ligação para os 2 artigos anteriores a este. O primeiro dia fora da nossa zona de conforto e o motivo e as questões que fui tendo nos dias anteriores a esta saída

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Carolina Valente Pereira

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