Saímos da nossa zona de conforto – dia 1

Tudo a postos e uma mãe mentalizada de que íamos mesmo passar uns dias fora só as duas. Ficámos em casa de uma prima que está em época de exames e, por isso, pouco tempo estivemos com ela.

Eu acordei pouco depois das 8h. Dei uma vista de olhos pelas redes sociais e Caetana ferrada a dormir. Levantei-me, fiz o pequeno almoço, arranjei-me e comecei a confirmar e acabar de arrumar tudo o que precisava – recorrendo à minha lista onde vou apontando objetos de que não posso mesmo esquecer, entre eles, carregadores, utensílios de wc, sopas.. Aqueles objetos que só podem ser colocados no dia e que por vezes acabamos por nos esquecer com a pressa.

Tudo em ordem e Caetana? Ainda a dormir!

Mudei a água às tartarugas e aos peixes, lavei a minha loiça do pequeno almoço e entretanto Caetana acordou. Eram quase 10h.

Acordou com mais vontade de brincar do que de outra coisa qualquer. Eu cheia de pressa porque íamos apanhar o comboio às 15h, à covilhã – a cerca de 60km – tínhamos que passar no serra shopping para ir buscar o carrinho à Zippy e almoçar e eu não sabia exatamente onde ficava a estação de comboios.

Caetana bebeu um pouco do leite e decidiu não querer mais. Tentei que bebesse no copo e aceitou. Mas teve preguiça de lhe pegar e, quando eu larguei ela fez o mesmo. Quase 10h30 e a cozinha assim:

Atentem na cara dela, meio ensonada, meio espantada com o leite todo espalhado

Claro que ainda me passou pela cabeça que isto fosse um sinal para não tirar o pézinho do soito mas ao mesmo tempo pensei ‘não, deve ser só uma história para contar, sobre um início atribulado’ e portanto os planos continuaram todos na mesma.

Limpei a cozinha duas vezes [porque na primeira passagem até a água do balde ficou branca, eu já me sentia mais a limpar o chão com leite do que o contrário] e depois uma terceira antes de sairmos. Vestir a miúda. Confirmar 50 vezes que não faltava nada e aí vamos nós.

Chegadas à covilhã formos direitinhas ao serra shopping – à Zippy. Enquanto as meninas me ajudavam a montar o carrinho, Caetana foi meter-se por baixo de um balcão de roupa, agarrada a umas sandálias. Ok, é verdade que precisava de umas porque as do ano passado já não servem. Tudo bem, levamos essas – brancas e com uma Minnie são perfeitas, apesar de não ser este o modelo que eu pretendia.

No carrinho novo com as sandálias novas que eu calcei e ela descalçou no segundo seguinte

Fomos almoçar – Para a Caetana aqueci uma das sopas e eu fui ao vitaminas. Do meu prato não quis mais nada além de massa.

Estou eu a meio da refeição e Caetana a tirar bocadinhos de massa quando ela fica muito séria e depois ri para o lado. Era uma rapariga que estava a almoçar com amigas e achou piada a este meio metro de gente que andava de um lado para o outro, subia e descia para a cadeira e ia comendo da minha massa mas rejeitava tudo o resto. Caetana a fazer amizades com o seu sorriso malandro.

Acabei de comer e Caetana não descansava se não comesse o seu lalo – gelado em caetanês. Para eu poder beber o meu café mais descansada improvisei uma mesa no carrinho novo. Se por um lado temi que ficasse sujo na primeira hora de utilização [que temi mesmo, não vou mentir] – por outro eu só queria Caetana sentada num sítio a comer o gelado em vez de se passear com ele sujeita a deixá-lo cair para ou chão ou, pior, para cima da sua própria roupa! Comeu um pouco com a colher, bastante com a mão. Não me perguntem como se come gelado com a mão, eu desconhecia essa possibilidade e demoram umas 10 vezes mais do que recorrendo à colher. Para deixar de o fazer pedi-lhe um bocadinho e lambi – como se faz com gelados de cone.. E finalmente Caetana imitou e o gelado começou a desaparecer.

Como podem ver utilizei o muda fraldas – que anda sempre no saco – como ‘toalha de mesa’ e a caixa de bolachas como mini mesa. O segredo é descomplicar e utilizar o que tivermos à mão.

E lá seguimos para a primeira viagem de comboio da madame Caetana que já tinha andado de metro por isso a única novidade eram as vistas pela janela e o tempo de viagem.

Assim que entrou perguntei-lhe se queria dormir a sesta hahahahahahaha. Ela adormeceu sim, entre Vila Franca de Xira e a estação do Oriente, onde saímos. Dormiu cerca de 5 minutos em viagem e saiu do comboio a ressonar ao colo, numa das melhores invenções de sempre – a mochila ergonómica!

Durante a viagem houve tempo para tudo. Até para fazer amizade com outras duas crianças de 3 ou 4 anos. Amizade esta que implicou passarmos grande parte da viagem na entrada da carruagem, local onde também estava uma rapariga nova com.. um cão!

Nada mais apelativo para Caetana do que duas crianças e um cão!

Na nossa mesa de comboio seguia um casal a quem Caetana disse várias vezes ‘olá’ no decorrer da viagem, e atrás uma rapariga que também lhe achou piada e tanto Caetana espreitou e disse olá, que acabou por passar entre o banco e o vidro e atirou-se, literalmente, para o colo dela. O resto da viagem mostro-vos em fotografias, explicam bem o que Caetana foi fazendo para além de passear e brincar com as outras duas meninas.

Pelo meio fui uma vez ao wc, de porta aberta [íamos na última carruagem portanto o wc estava no fim do comboio o que diminuía a probabilidade de passar alguém], com o carrinho entalado à entrada – meio no wc, meio no corredor – e Caetana lá sentada, para não a deixar tocar em nada. Aproveitei o ambiente e mudei-lhe logo a fralda, no carrinho, na zona de entrada para a carruagem.

A última vez que viajei de comboio não havia bar. Só a meio da viagem é que a senhora que estava à nossa frente me disse que já havia outra vez. Ainda fomos até lá mas era do outro lado do comboio e assim que acabei o meu café e ia tentar adormecer Caetana, ela lembrou-se que queria água. Ora, tendo no saco não ia comprar outra pelo preço exorbitante que se aplica nos comboios.

Após dar-lhe água fui para a entrada da carruagem, junto aos wc, embalar a princesa na mochila ergonómica mas, como já vos disse, tal só surtiu efeito no final da viagem. Saí então com a mochila de campismo às costas e Caetana à frente, a ressonar. Com a outra mochila e carteira no carrinho.

A minha prima chegou logo após sairmos do comboio. Fomos a casa por as malas mais pesadas e seguimos ao supermercado. Entretanto Caetana acordou quase em casa e aguentou-se no carrinho enquanto fomos ao supermercado por isso correu tudo de forma normal. Só tive que lhe dar pão dentro do supermercado mas, conosco (e desconfio que com todas as crianças) isso já é algo normal.

As sopas chegaram bem e ainda bastante congeladas.

Podem ver no artigo aqui em baixo como tudo começou. Porque fomos a lisboa só as duas e quais foram as questões e respetivas soluções que me foram ocorrendo nas duas semanas que antecederam a saída.

Carolina Valente Pereira

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