Regresso à escola em 2020

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Pois é, o ano letivo está quase a começar e ainda há muitas questões no ar, muitas dúvidas por responder.

Felizmente a Caetana está na mesma instituição desde muito bebé e sempre a frequentou com muito gosto. Está entusiasmada porque vai passar a frequentar o jardim de infância (não sabe bem o que isso significa mas sabe que é na mesma instituição, noutro corredor e sala, que vai com adultos e colegas do ano passado, uns da sala dela, outros da sala ao lado, mas todos do seu conhecimento).

Eu sou das pessoas que continua com muito medo do vírus. No entanto, confio na instituição onde vou deixar a minha filha. Sei que não estará em contacto com crianças de outros grupos, mas conviverá com os colegas da sua sala (imagino que com uma ou outra “limitação” e desinfeção “constante” de brinquedos).

primeiro dia de creche 2019/2020
Primeiro dia de creche 2019/2020

Vi imagens que pareciam saídas de um filme: Profissionais exageradamente equipados com uma mesa onde desinfetavam tudo o que vinha de casa. Felizmente, a Caetana frequenta uma instituição onde os adultos mudam de roupa e utilizam a bata normal – que fica dentro da instituição – com o óbvio acrescento da máscara.

Quanto ao que vai de casa, foi pedido aos pais que levem tudo na sexta-feira anterior. Desta forma, fica intocável durante o fim de semana, consequentemente sem necessidade de desinfeção. Nesses pertences vão também um par de sapatos, que servirá para a criança utilizar durante toda a semana seguinte, dentro da instituição.

Portanto, quando chegam de manhã, as crianças são entregues a um adulto vestido com a bata da instituição como sempre e uma máscara descartável. Esse adulto mede-lhes e regista a temperatura, desinfeta-lhes as mãos, troca-lhes o calçado e leva-os à sala.

Quando entregávamos e íamos buscar os nossos filhos assinávamos um dossier que passou a ser sempre assinado por esse adulto da instituição. Sempre houve e continua a haver telefone e endereços de e-mail portanto há possibilidade de contacto encarregado de educação – educadora de infância. Os recados do momento podem ser passados pelo adulto que está à porta.

A sair da creche 2019/2020
Ia e vinha sempre feliz (foto de 2019)

Como já disse e repito sim, estou descansada com as normas aplicadas na instituição onde anda a minha filha. Sei que há cuidados com o vírus mas, acima de tudo, preocupação com bem estar emocional das crianças. São adultos conscientes e de bom coração, que sabem que não podem abraçar só porque sim (como faziam antes) mas não vão negar um abraço a uma criança que pede, que precisa, que está triste, que caiu. Adultos que provavelmente desinfetam as mãos antes de dar o abraço que é pedido mas, se a criança cair e se magoar, a prioridade é chegar à criança porque o cérebro para e o coração fala mais alto!

Mas esta é a minha experiência. Em suma: mãe de uma filha na mesma instituição desde sempre. Perfeitamente adaptada, que gosta de frequentar. Tem saudades de voltar para brincar com os amigos! Está ansiosa por saber que vai para o jardim de infância.

Para ela nada é realmente novo. Não sei exatamente qual será o adulto destinado à receção das crianças mas, vivendo numa zona pequena, todos os adultos conhecem todas as crianças que já frequentam a instituição. Há mais relação e empatia com uns do que outros mas nenhum é desconhecido.

regresso a escola
Foto de 2019

Compreendo perfeitamente a apreensão de muitas mães que tenho visto nas redes sociais. Há locais com medidas que não cabem na cabeça de ninguém quando se trata de crianças. Acredito que seja difícil para crianças que vão começar agora a frequentar o meio escolar, um novo ciclo de ensino ou mudar de instituição – para um local totalmente novo onde não conhecem nada nem ninguém.

Não consigo compreender como é que o governo manda reduzir intervalos numa altura destas. Se já antes eram vergonhosos de tão curtos, não imagino como será daqui para a frente.

Ainda não percebi muito bem a partir de que idade terão as crianças que utilizar máscaras em ambiente escolar mas parte-me o coração pensar que há possibilidade de ser a partir dos 6 anos. A entrada no 1º ciclo não é fácil. É aquela mudança do “aprender brincando” para a “escola a sério” onde vão aprender a ler e escrever como os “crescidos”. E, de repente, além de tudo isto, com uma máscara na cara. Acredito que os professores de 1º ciclo terão o bom coração de se afastar um pouco para poder retirar a máscara em certos momentos, como no ensino da língua portuguesa, para que os seus alunos olhem para as suas bocas e oiçam bem de que forma se pronunciam as diversas sílabas, palavras, frases, textos..

Assim Não é Escola
Imagem facultada por Dulce Cruz [ig: @erva_dulce]

Já repararam como a máscara nos impede de comunicar corretamente? Quantas vezes não percebemos o que outra pessoa nos diz? Agora imaginem isso quando o objetivo da comunicação é o ensino da leitura e da escrita!

Claro que a máscara terá de estar colocada se houver uma dúvida individual, esclarecida junto ao aluno, mas será assim tão necessária quando o professor está no quadro, distante das crianças a mostrar letras enquanto lhes explica como se pronunciam?

Saberão crianças de 6 anos utilizar uma máscara corretamente?

É por estas crianças que escrevo este texto. Pelas crianças novas, pelas crianças de 1º Ciclo do ensino básico, principalmente de 1º ano escolar. Porque Assim Não é Escola.

Assim_não_é_escola
Imagem facultada por Dulce Cruz [ig: @erva_dulce]

Deixo-vos ainda o link do Movimento Assim Não é Escola. Cliquem aqui e vejam a carta escrita por alguns pais/ encarregados de educação com sugestão de medidas mais suaves para este regresso à escola, uma vez que as medidas apresentadas “comprometem a saúde mental das crianças e o seu potencial bom desenvolvimento. O afeto, a segurança emocional e a socialização com os pares são importantes para o seu crescimento e desenvolvimento intelectual e emocional harmonioso (OPP, 2020)”,

Leiam esta carta e, se há alguma medida com a qual não concordam na instituição dos vossos filhos, utilizem-na para dialogar com quem de direito, no final da página têm possibilidade de a descarregar em formato Word ou Pfd.

Obrigada às mentoras desta carta, especialmente à Dulce Cruz que, ao partilhar a experiência positiva do regresso da filha, se deparou com desabafos de outras mães e, mesmo não estando a filha dela a ser afetada, começou este movimento, para dar voz aos encarregados de educação que estão descontentes e, acima de tudo, preocupados com o regresso dos seus educandos.

Carolina Valente Pereira

Gosto de ler, escrever, partilhar factos, aventuras, opiniões e brincadeiras

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