Proteger a casa para a criança? #2

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Para dar continuada de à primeira parte, que podem encontrar aqui, hoje venho falar dos perigos que podemos encontrar e decidir ou não esconder na casa de banho, quartos e perigos que se encontram não só em nossa casa, como em casas de outras pessoas e na rua (nomeadamente nos cafés, onde levo a Caetana diariamente).

Fichas
Cá em casa, as fichas estão visíveis e desprotegidas, no máximo têm algo ligado a elas. Ainda comprámos protetores, mas nunca os chegámos a colocar. Tanto adiámos o assunto, por preguiça, que notámos já não ser necessário.

É a tal situação, agimos de forma natural com as fichas – o natural do adulto é ignorar a ficha e só se servir dela quando precisa de ligar algo – e isso também ajuda a que Caetana não tenha curiosidade em mexer lá, porque não nos vê a mexer.

Uma vez, queria desligar e ligar um carregador de uma ficha. Eu afastei a miúda várias vezes e ela voltava, chorava, fazia birra. Ok, juntei-me a ela e fui para junto da ficha ajudar. Eu ligava o carregador, ela desligava. Fizemos isto 5/6 vezes e foi o suficiente para Caetana se fartar e sair daquele sítio. A mesma situação voltou a acontecer no quarto com uma tripla [foto em baixo]. Aí levei o ‘exercício’ mais a sério e de forma mais autónoma. Desliguei a tripla da eletricidade e deixei que Caetana tentasse colocar os carregadores durante o tempo que achou necessário. Durou 1 ou 2 minutos até se fartar e querer ligar a tripla à parede. Ajudei a ligar e, como Caetana não a conseguiu desligar, partiu para outra brincadeira – na foto vê-se Caetana a ligar a tripla à eletricidade.
Com isto posso ficar descansada quando levo a minha filha a um café ou a casa de outra pessoa. Porque pessoas sem crianças não têm fichas protegidas e, a maioria dos cafés também não. É preciso ter sempre atenção porque pode haver outros perigos mas as fichas só são motivo da minha atenção nas primeiras vezes em que Caetana passa por elas [pode não ver interesse em mais nada e, com crianças, é sempre bom estarmos atentos].

Primeira fotografia: perceberão melhor no artigo anterior, aqui, mas repeti-a para reforçar a ideia de que Caetana estava ao alcance da ficha, mas preferiu a ‘asneira’ de passar para a cadeira de refeição.
Segunda: sala de Yoga Baby. Ficha visível. Caetana teve mais interesse pela estrela luminosa – novidade para ela – do que na ficha que vê todos os dias em casa.
Terceira foto: tentei colocar vídeo mas não consegui. A foto terminou a brincadeira que descrevi no texto.

Lareira
Nós não temos, mas temos aquecedores, um a gás – que queima mesmo. As avós têm lareiras com recuperador mas o perigo existe na mesma porque também queimam. Os cafés têm caldeiras de pellets, ventiladores, aquecedores que podem queimar.
Quando entramos num sítio novo começamos por procurar esses perigos e aproximar Caetana, para ela perceber que está ‘tente’ [quente em Caetanês] e, dessa forma não mexer nem tentar aproximar-se – até porque com a altura dela, o calor que nos dá nas pernas, dá-lhe na cara e isso é logo um fator que a faz não se querer aproximar. Depois é tentar que não corra perto para não se desequilibrar e não colocar lá a mão, sem querer, para se apoiar na queda.

No fundo, a atitude é sempre a mesma: o perigo não se deve esconder. Pelo contrário, tem de ser mostrado e explicado para que a própria criança tenha a iniciativa de não se querer aproximar.

Escadas/ Degraus
Não temos escadas dentro de casa mas temos no prédio. Não a deixamos descer sozinha porque pode cair. Quando sobe, o que começou a fazer antes de andar – com as mãos no chão – é preciso estar logo ali, porque empina o rabo para trás e pode acontecer levantar-se e cair desequilibrada para trás.
De vez em quando já sobe apoiando-se no corrimão ou parede, mas tentamos que nunca aconteça sem supervisão, por uma questão de equilíbrio.
Descer o passeio também já acontece há algum tempo após vários treinos a solo. Viver na vila tem destas vantagens [e muitas mais, principalmente na educação ‘livre’ de uma criança]. Quando está tudo sossegado, um carro ouve-se a uma distância suficientemente segura que nos permite deixar a miúda desder e subir estrada/ passeio para ajudar na sua motricidade global. Já o fez sozinha e corretamente, ultimamente tem começado a ter mais noção da realidade/ do mundo e, consequentemente, mais medo, e pede a mão. Se vir que não estamos interessados em ajudar [porque apesar de estarmos ali ao lado sabemos que o consegue fazer sozinha], senta o rabo no chão, arrasta-o e segue o seu caminho.

degraus hotel
Caetana a subir as escadas num hotel. Esteve vários minutos a subir e nós atrás dela. Queria que fossemos atrás, que a apanhássemos e que a deixássemos fugir novamente.

Utensílios de casa de banho
Temos um carrinho com alguns utensílios, nomeadamente giletes e máquina de barbear do pai e pensos higiénicos meus. Os medicamentos estão numa arrecadação perto da porta da rua, fora do alcance da Caetana.
Temos duas casas de banho. Uma maior, com banheira, que utilizamos diariamente. O carrinho passou automaticamente para a outra. Caixote do lixo na casa de banho também deixou de existir.

Cama
Caetana dorme conosco. A cama é baixa, tão baixa que Caetana passou a ser mais alta que a cama ainda antes de andar.
Das primeiras coisas que lhe ensinámos foi que, para sair, teria que se virar de barriga para baixo, com os pés para o lado do chão e deixar-se deslizar.
A lição foi tão bem aprendida que, nas férias de verão, a cama era bem mais alta e Caetana saía com facilidade, utilizando a mesma ‘técnica’ para vir ter conosco quando acordava da sesta.

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Caetana, 10 meses. Ainda não andava e já era mais alta que a nossa cama

Quarto da Caetana
Uma vez que dorme conosco, o quarto dela serve apenas para brincar – a cama de grades é o depósito de peluches.
Foi pensado de forma a ter espaço livre no meio, com os móveis encostados à parede, brinquedos ao alcance de Caetana.
Os únicos objetos que estão fora de alcance são os de pintura: lápis de cera, de cor, tintas. Mas Caetana sabe onde estão e não se inibe de os pedir quando pretende. O brinquedo ‘cozinha’ passou a estar na nossa cozinha, o que tem ajudado Caetana a estar mais entretida sem que tenha que estar sozinha no quarto.
No nosso quarto temos um suposto parque cuja função passou a ser mais de sofá após retirarmos uma das redes laterais, onde Caetana se senta quando quer explorar livros. Tem meia dúzia de brinquedos dela e os livros, apesar de terem um espaço específico no quarto dela, temos alguns no nosso quarto, também ao seu alcance.

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No nosso quarto, também as gavetas foram adaptadas por forma a existirem apenas 2 proibidas [uma em cada móvel], uma delas com a minha roupa interior, a outra com carregadores, capas de telemóvel, corta unhas da Caetana e objetos onde não queremos que mexa seja por perigo ou simplesmente para não estragar. Mas, para compensar as 2 proibidas, tem 6 permitidas!

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Onde nós vemos uma gaveta, Caetana vê uma escada

Mas não é tão simples como parece. Ou melhor, é simples, desde que haja paciência e consistência, principalmente no início. É preciso estar atento para não deixar mexer nos perigos que realmente magoam – fichas e lareiras por exemplo. Ao mesmo tempo vamos reforçando onde pode mexer.
Também é preciso deixar que se magoem quando assim é permitido. Caetana aproximou-se de catos. Avisámos: não mexas aí porque picas-te e depois dói. Caetana continuou a ameaçar mas, como é cuidadosa, acabou por mexer, o suficiente para perceber que pica mas não se magoar a sério. Picou-se, disse ‘ai’ e não voltou a mexer. Claro que com uma lareira não podemos agir da mesma forma porque a consequência seria demasiado grave.

Repito: O que acho que ajudou a este resultado foi o facto de Caetana perceber que os sítios permitidos são muito mais do que os proibidos.

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Carolina Valente Pereira

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