Nascimento, recuperação, regresso a casa

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O nascimento
Como comecei a contar aqui, induziram-me o parto de manhã, com 38 semanas e 4 dias de gravidez.
Durante todo o dia nada de sinais. Não houve sequer contrações..
De vez em quando sentia diferenças mínimas mas eram apenas psicológicas, o meu subconsciente procurava sinais que na realidade não existiam.
Às 18h30 o dtr quis observar-me. Não havia desenvolvimento no parto e não sabíamos exatamente o que se tinha passado com o líquido amniótico – havia a possibilidade de o ter perdido há mais de 24horas quando fui ao hospital, o que pode levar a infeções.
Não querendo arriscar, o dtr anunciou que faria cesariana.
Nesse momento entrei em pânico. Não propriamente pela cesariana mas porque tinha chegado o momento. Não sei explicar, foi muita emoção ao mesmo tempo. Só me apetecia fugir. Queria estalar os dedos e ter a bebé no meu colo em vez de estar ali deitada no bloco operatório.
Antes de ir para o bloco puseram-me uma alegália, nada de mais.. Mas no estado de nervos em que eu estava era ela a culpada de tudo.. Chegaram a perguntar-me se estava a magoar-me por estar mal posta.. Ao que respondi: “Não magoa, mas faz-me muita impressão. Eu pensava que era mais forte, afinal sou mesmo fraca” E estive nestas tristes figuras até levar a epidural e ficar extremamente calma!
A anestesista pensou mesmo que o meu problema era com a epidural. Juro que não, o meu problema eram as hormonas.
Tenho a dizer que cesariana com epidural é uma forma ótima de trazer um filho ao mundo. Não temos dor e vemos o nosso bebé assim que sai de dentro de nós!
A recuperação
A primeira noite foi péssima a nível psicológico. Não me podia levantar. Se a bebé chorasse vinham as senhoras enfermeiras tratar dela, ou colocá-la no meu colo. Passei toda a noite a ‘rezar’ para que não chorasse porque me sentia incapaz de tratar dela. Quando ela fazia algum barulho eu levantava o tronco e acalmava-a falando-lhe baixinho e abanando-lhe o berço. Quando chorava mais [com fome], as senhoras enfermeiras vinham em nosso auxílio.
É normal isto acontecer após as cesarianas e as próprias enfermeiras disseram que não me preocupasse que estavam lá para isso. Mas custou-me muito saber que tinha acabado de ter uma filha e não conseguia tratar dela.
Assim, de manhã, mal me chamaram para tomar banho [com ajuda de auxiliares] fiquei contente. Só queria ir e levantar-me para recuperar mais depressa.
Levantei-me e comecei o dia calmamente, como me mandaram. Durante esse dia andei “fresca e fofa” nem parecia que tinha sido operada e tinha pontos na barriga..
No segundo dia levantei-me ótima e fui tomar banho sozinha. Pouco depois fui dar banho à bebé e começaram as dores. Efeitos secundários da epidural: uma dor mega forte no cimo do pescoço, que me afetava cabeça e/ou olhos. Uma dor tão forte que se tornava incapacitante. Dificultava-me mudar a fralda e dar biberão/ tentar amamentar. Uma dor que aumentava devido ao estado de nervos em que eu ficava por me sentir incapaz de atender às necessidades da minha filha.
Não era uma dor contínua, mas quando me dava obrigava-me a procurar posição deitada, agarrada ao pescoço a massajar-me a mim mesma.
Ainda não percebi bem se este efeito secundário me aconteceu só “porque sim” ou se foi devido a ter abusado no primeiro dia, mas a verdade é que me acompanhou durante toda a estadia hospitalar.
Em casa já ameaçou várias vezes começar a doer mas, graças a Deus, nunca chegou a ser como no hospital. Penso que também graças ao facto de em casa estar mais calma e sem horários a cumprir. Desde que viemos para casa temos apenas um horário: a alimentação da Caetana! Tudo o resto é secundário e sem horário definido.
O regresso a casa
No momento em que disseram “A Caetana tem alta!” fiquei feliz. Estávamos de saída.
Mais tarde, após o preenchimento das burocracias disseram-me “A sua alta está assinada”
E caiu-me a ficha: “Bolas, vamos para casa. Eu, a bebé e o pai! E agora? Vamos mesmo saber tratar dela? Se o pai pudesse ficar conosco aqui no hospital bem que cá ficava mais uns dias. É só carregar no botão e vêm logo as enfermeiras ajudar.. Em casa não há enfermeiras.. Há apenas dois adultos inexperientes, pais de primeira viagem!”
Mas claro que não podíamos ficar. E ainda bem porque, assim que colocámos os pés em casa, tudo ficou melhor. A mãe e o pai sabem o que fazer.
O instinto materno sabe sempre o que é melhor para os nossos filhos!
Têm sido dias incríveis.

Nascimento
Nascimento

Carolina Valente Pereira

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No Responses

  1. Quais tristes figuras… no estado de nervos em que te encontravas, até me parece uma reacção bastante razoável! Os efeitos secundários é que foram um cocózito… mas o que importa é já estarem ambos a adaptarem-se à vida de pais. Finalmente os 3 em casa! 😀

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