Deixem as mães em paz!

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Não dizer nada a mãe.jpg

Ainda estou para perceber esta mania de toda a gente achar que conhece melhor uma criança do que a própria mãe/pai.
Ou porque a criança tem fome, ou porque tem frio. Porque já devia andar, falar, contar, falar outra língua, o que quer que seja.

Parem com isso!

Só vão conseguir irritar a mãe que vos ouve.
Depois há um dia em que essa mãe dormiu pior, ou simplesmente não está com paciência para vocês e, como se costuma dizer, “Quem diz o que quer, ouve o que não quer”! [Aqui não refiro tanto os pais porque cá em casa, e pelo que tenho falado com outras mães, as pessoas falam e os pais não ouvem metade, ou não se apercebem do que realmente a pessoa quis dizer.]
Toda a gente sabe que não há duas crianças iguais. E também já todos sabemos que as crianças que vos são mais próximas – filhos, sobrinhos, netos…- são sempre melhores que as dos outros – nem que seja aos vossos olhos e pela vossa boca!
Frio
Toda a gente sabe que, em pleno mês de janeiro, está frio.
Mas que raio de ideia é esta de se dizer que está frio para as crianças pequenas andarem na rua? Se está frio para elas também está frio para vocês, que estão na rua a incomodar a mãe que passou com o seu filho. É que, feliz ou infelizmente, o ser humano é uma espécie que não hiberna e, por isso, tem de aprender a viver nas quatro estações do ano e não apenas quando está calor.
Se chora é porque tem fome ou porque, com ano e meio ou 2 anos “coitadinho que ainda não come doces”

E o que vos leva a pensar que a criança está a chorar porque tem fome? É que, se for o caso, a mãe também já o percebeu e com certeza estará a fazer de tudo para lhe dar de comer o mais depressa possível – apesar de eu achar que isto só acontece em caso de esquecimento e/ou imprevisto porque mãe costuma andar prevenida ou alimentar a criança antes de sair de casa.
Quanto aos doces enfim, já tínhamos aqui pano para mangas. Se os pais dizem que não come, quem está à volta tem, só e apenas, que respeitar e não comentar!
Chupeta, corte de cabelo, roupa, brinquedos?
O que vos leva a pensar que a mãe quer ouvir a vossa opinião sobre qualquer um destes assuntos?
A Caetana não usa chupeta mas, se usasse, não a ia deixar por ser outra pessoa a falar sobre isso – as únicas pessoas que o poderiam fazer seriam um dentista, terapeuta da fala, ou qualquer outro profissional a quem recorrêssemos por qualquer razão.
Cortamos-lhe a franja em casa – porque atrapalha nos olhos – e ainda nunca cortámos o resto, escusam de dizer que fica fininho, que dá azar ou o que quer que seja. Basicamente escusam de opinar porque, para nós, o que interessa é a nossa opinião: da mãe e do pai, futuramente da própria Caetana.
A roupa é ao nosso gosto sim, os casacos costumam ser comprados por nós (ou oferecidos em aniversários, natal…) e, no dia a dia ela escolhe qual quer usar. Claro que se estamos no inverno, os casacos de verão estão guardados e ela escolhe apenas dentro das opções visíveis – as de inverno. O mesmo acontece com os gorros.
Como escolhemos? Escolhemos roupas de que gostamos, independentemente da cor ou de estarem rotuladas como roupa de menina ou menino!
Brinquedos também ainda é difícil ser ela a escolher, acabamos por escolher nós consoante as brincadeiras que a vemos fazer no dia a dia. Brincava com pratos e talheres, comprámos a cozinha do Ikea. Brincava com as ferramentas do pai, comprámos um conjunto de ferramentas de madeira. Também tem trotinete e skate, nenucos, carrinhos, plasticinas, tintas, legos, bolas.. Vamos comprando o que vamos achando necessário, pouco importados se na caixa do brinquedo aparece uma menina ou um menino! Cá em casa o pai também cozinha, a mãe também utiliza ferramentas se for preciso.
Tenho notado que, infelizmente, ainda é estranho para muita gente ver uma menina a brincar com carrinhos e um menino com nenucos mas, felizmente, já não é tão estranho ver um pai empurrar um carrinho de bebé, dar um biberão ou mudar uma fralda e uma mãe a conduzir com o pai ao lado.

Deixem de chatear as mães, ninguém sabe o que é melhor para um bebé/ criança do que a sua própria mãe! Lá porque vocês também são mães, não vos dá o direito de achar que conhecem bem todo e qualquer bebé/ criança que vos apareça à frente. Vocês conhecem [ou conheciam] melhor que ninguém os vossos, não os dos outros!
Ao opinarem sem que vos seja pedido, estão apenas a pedir uma resposta torta.

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Carolina Valente Pereira

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