Consequências imediatas/ naturais

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Castigo ainda é algo que não se aplica cá em casa. Caetana ainda não chegou à fase em que podemos dizer, por exemplo, ‘se te portares mal não vamos ao parque’.
Ela percebe o que nós dizemos e fica contente se for ao parque. Mas ainda não tem noção que lhe permita associar ‘não fui ao parque porque me portei mal’.
Portanto, cá em casa, o que acontece são consequências imediatas e/ou naturais.

Consequência imediata
‘Ameaçar’ só o que podemos cumprir! [dica que também serve para situações de castigos]
Quantas vezes damos por nós zangados com os nossos filhos, a dizer algo do género ‘se voltas a bater com isso tiro-to das mãos’ ?
E depois, se a criança repetir, tiramos mesmo?

Temos de ser consistentes e coerentes! E pensar bem na ‘ameaça’ antes de a fazer. Quando digo ameaça pode ser apenas uma conversa em que ‘negociamos’ qualquer tipo de troca com os nossos filhos.

Pensar nas consequências que isso trará sobre nós próprios
Retirar tecnologias
Posso proibir o meu filho de ver televisão durante uma semana? Posso, mas também eu fico sem televisão, pelo menos enquanto ele estiver acordado!
Posso retirar o tablet e/ou outro tipo de jogos? Posso, mas terei de arranjar soluções que me permitam ter a criança entretida em determinados momentos.
Cá em casa, por exemplo, recorremos ao iPad enquanto a sopa aquece. Assim Caetana está sentada na cadeira de refeição enquanto tratamos de aquecer a sopa – retirámo-lo no momento de refeição, para que olhe para nós e perceba o que estamos ali a fazer: sentados à mesa, a comer, com talheres e sem tecnologias! Apesar de o fazer na creche, em casa continua sem mostrar interesse em mastigar. No entanto, já tem exemplos visuais, algo que não tinha porque só comia com os olhos postos no ecrã.
Ora, se eu proibir o iPad, como vou aquecer a sopa sem ter a miúda agarrada às minhas pernas, ou ao meu colo sujeita a entornar tudo e/ou a queimar-se?

E escusam de dizer que ‘no meu tempo não havia cá iPads e já se aqueciam sopas’ porque, no meu tempo, muita coisa era diferente e tudo [ou quase tudo] se fazia na mesma, ou de forma idêntica.
Mas eu não tive uma filha no meu tempo, tenho uma filha agora, em 2019 e sim, utilizo o iPad para a entreter enquanto a sopa aquece.

Não sou contra tecnologias, mas sou a favor de terem acesso a elas de forma controlada – os pais saberem o que estão a fazer/ ver e gerir o tempo em que as utilizam.

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Super atenta a ver um vídeo antes de almoço

Adequar as penalizações à idade/ perceção da criança
Há tempos disse à Caetana ‘se não te sentares na cadeira [cadeirinha do carro], não vamos ter com o pai’. Entretanto arrependi-me e tive que fazer com que ela se sentasse mesmo.
Não que eu fizesse muita questão de ir, o pai estaria em casa dentro de pouco tempo. Mas apercebi-me de que, com 18 meses, se voltasse da garagem para casa, Caetana não iria perceber o que tinha perdido. Pior que isso, o mais certo era que interpretasse que por fazer birra eu cedi em sentá-la na cadeira e já não andámos de carro.
Era domingo, no dia seguinte iríamos de carro para a creche – é impossível fazer aqueles cerca de 12km a pé – e depois? Nova birra e a consequência era não ir à creche porque ela até gosta de ir? Mas e então? Ela também gosta de ficar em casa e, mais uma vez, não perceberia o que perdia..
Se fosse mais velha e tivesse sido ela a pedir par ir ter com o pai, aí sim, com a birra que fez já não teríamos ido mesmo – até porque se fosse mais velha já compreenderia que não pode circular de carro sem estar sentada na cadeira com o cinto colocado.

Mas Caetana ainda não tem esse tipo de noção. A noção dela é o presente e o concreto: ‘Fiz birra e consegui o que queria – não me sentei na cadeira’

Consequência Natural
Aqui está algo que faço diariamente sem qualquer intenção que não a de educar a minha filha – não tem nada que ver com portar-se bem ou mal, ser castigado ou recompensado.
Como todas as crianças desta idade, Caetana desarruma brinquedos – seja para brincar ou só porque os quer ver espalhados – e é normal que o faça e eu adoro ver o quarto dela desarrumado quando o intuito é brincar. Por outro lado, detesto vê-la pegar num cesto e virá-lo de modo a espalhar tudo e partir de imediato para outra brincadeira, mas também sei que faz parte e não faço disso nenhum drama.
No entanto, também é normal eu pedir-lhe que os arrume.
Da mesma forma que terá que apanhar a comida que deita para o chão, como é frequente por exemplo, com as uvas. Come o que lhe apetece e atira as peles e as restantes – quando não quer mais – para o chão. Se o cão estiver por ali ainda come 2 ou 3, mas muitas acabam por ficar caídas, até Caetana sair da cadeira de refeição e eu lhe pedir que as apanhe e coloque no lixo.

Não vejo isto como qualquer tipo de castigo, mas sim como uma forma de educação.

Se Caetana tem capacidade de tirar os brinquedos do sítio, também tem para os colocar onde os encontrou. Não ficam tão direitinhos? Paciência, mas ficam nos sítios corretos, ou, pelo menos, nos armários corretos. Com a idade e as capacidades físicas mais evoluídas pedir-lhe-ei que arrume corretamente, agora há objetos – como os livros – que ainda não consegue colocar direitos e alinhados e está tudo bem, uma coisa de cada vez.
Com a comida acontece o mesmo. Se for ela a atirar para o chão, é ela quem vai apanhar. Por vezes mando-a parar de atirar a comida e ainda faz pior. Tudo bem, no final, quando a tiro da cadeira de refeição, é a ela que peço para apanhar o que deitou para o chão.

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Caetana a apanhar uvas que tinha atirado para o chão

Também nestas situações temos de estar atentos. Muitas vezes os miúdos atiram comida/ brinquedos ao chão com o único objetivo de os tirarmos da sua cadeira. Quando percebemos que é esse o objetivo dela, não a tiramos logo mas também não esquecemos e muito menos apanhamos a comida ou o brinquedo – fica no chão até ao momento de Caetana sair.
O que tem acontecido é que, quando retirada da cadeira, Caetana já nem se lembra do que atirou para o chão. É aí que a lembramos para que o apanhe e nos dê, ou coloque em cima da mesa.
Eu podia arrumar tudo por ela. E podia apanhar a comida que deita para o chão. Até se fazia tudo de forma mais rápida.
Mas estaria a ensinar-lhe que assumo as responsabilidades dela. Que pode desarrumar e sujar à vontade que eu estou cá para apanhar e limpar.
E não é assim que pretendo que seja educada.

Pretendo que ela perceba que, se um brinquedo é retirado do seu lugar, ele não volta sozinho, precisa de ser arrumado.

Não lhe pedi que arrumasse com a idade em que começou a desarrumar. Numa fase inicial eu arrumava. Gradualmente, vendo Caetana crescer e ganhar capacidades físicas e mentais, fui pedindo ajuda. Entretanto já só preciso de lembrar e, quando a desarrumação é muita, sou eu que a ajudo a ela.

Fico extremamente contente quando percebo que Caetana arruma algo sem que eu lhe peça. É certo que raramente acontece mas, tantas vezes lhe peço que arrume que, por vezes, ela já tem a iniciativa de arrumar o que tem na mão antes de retirar outro brinquedo. Inicialmente limitava-se a deixar cair ou pousar no chão.

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Carolina Valente Pereira

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