Caetana e a chupeta

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O evolução da relação entre a Caetana e a chupeta é no mínimo estranha.

Eu fui daquelas mães que incluiu uma chupeta pequenina no saco de maternidade. Quase não foi utilizada no hospital porque Caetana não a queria.

Em casa, até aos 4/5 meses, a relação com a chupeta foi excelente! Após várias tentativas com diferentes formas e tamanhos de chupeta, descobrimos uma preferida [e outra que resultava muitas vezes] que funcionava como um botão off. Caetana começava a chorar com sinais de sono, colocávamos a chupeta e ela adormecia imediatamente. Depois de adormecer largava-a e não a voltava a pedir.

Nota para quem não tem filhos: há crianças que não dormem sem chupeta. Estão a dormir, sentem a chupeta cair e acordam a chorar para a conseguir de volta.

Uma vez, numa fila de supermercado, tínhamos duas pessoas à nossa frente. Quando chegou a nossa vez, a senhora que nos atendeu perguntou – super admirada – se não era aquele bebé que tinha ouvido chorar. Ao que eu respondi ‘sim, era. Mas meti-lhe a chupeta e adormeceu’. Naquele momento Caetana dormia profundamente. Graças à chupeta e a estar na mochila ergonómica adormeceu em segundos, habitualmente demorava 4 ou 5 minutos.

Depois os dentes começaram a dar sinais de incómodo [o primeiro nasceu aos 6 meses, mas aos 4 já a miúda se babava imenso] e a chupeta passou a ser odiada em todos os momentos. Se tivesse sono e lhe puséssemos a chupeta na boca ficava irritada, esperneava mais e atirava-a para o chão.

Há uns meses, tinha a Caetana cerca de ano e meio, chego à creche e dizem-me, meio atrapalhadas sem saber muito bem que palavras utilizar, que ela andava a tirar as chupetas aos colegas da sala, dando a entender que precisava de uma chupeta para ela.

Eu expliquei que ela só não usava chupeta porque não queria, tinha algumas cá em casa e por mim tudo bem, voltaria a dar-lhe sem problema. Dei-lhe algumas a escolher e, no dia seguinte, quando a deixei novamente na creche, notei a felicidade ao exibir perante os amiguinhos que também tinha uma chupeta – como se fosse um brinquedo que ela também já tinha. Se até aos 4 meses mostrava forte preferência por uma, agora já não é tão esquisita. Qualquer chupeta serve.

Desde essa altura Caetana usou chupeta todos os dias durante 1 ou 2 semanas. Depois foi-se esquecendo. Costumamos ter chupetas à vista no quarto e na cozinha. Caetana vê-as e, por vezes, pede. Na maioria dos casos tira-a ou deixa-a cair uns minutos depois. Outras vezes sai de casa com ela e é até se esquecer. Pode andar de chupeta 5 minutos ou 2 horas, mas o mais comum é durar poucos minutos. Se não as vir é raro lembrar-se, a não ser que esteja adoentada. Para adormecer já raramente serve e, em vez de ser uma ajuda, acaba por ser apenas mais uma distração para não adormecer.

Eu não me preocupo minimamente em tirar-lha porque sei que, no caso da Caetana, não é um ‘vício’. Ela gosta da chupeta mas não faz nenhum drama se lhe disser que não tenho nenhuma no momento em que pede.

Eu usei até aos 6 anos e só deixei porque me compraram uma consola Super Nintendo e me deram a escolher entre a consola e a chupeta. Eu era criança sim, mas não era burra, claro que optei pela consola e nunca mais me atrevi a pedir a chupeta. Só aos 20 e tal anos é que a minha mãe me contou que a guardou para caso de S.O.S. Eu lembro-me bem de optar pela consola, ir à janela e ver o meu pai a deitar o lixo fora – onde supostamente estaria a minha tão adorada e mordida chupeta. Nem me passou pela cabeça voltar a pedir porque tinha a consola e sabia que tinha feito uma escolha. Claro que o facto de já ter 6 anos e estar quase na escola primária também ajudou a ter toda esta noção da escolha que tinha feito.

No caso da Caetana sei que será uma questão de tempo até deixar de a querer mesmo por isso deixo andar à sua vontade.

Foi engraçado, na altura em que ela começou a pedir a chupeta, perguntavam-me se a Caetana ainda usava chupeta e eu respondia que ‘A Caetana usava chupeta’. Porque ela começou a usar na altura em que a maioria dos pais começa a tentar que os filhos deixem de usar, ou passem a usar menos. Hoje em dia nem sei bem o que responder. Caetana usa chupeta às vezes, quando a vê e lhe apetece.

E faço questão de lhe dar a chupeta quando a noto a morder brinquedos, porque percebo que há necessidade de morder e sei que não aceita mordedores.

E em vossa casa, como é/foi a relação dos vossos filhos com as chupetas? Usaram-nas? Até que idade?

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Carolina Valente Pereira

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