Birras e reações

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Há uns dias a Caetana fez-me algumas birras. Se umas tiveram piada, como esta das botas, que contei no Instagram, outras não tiveram piada nenhuma, como a que vou contar a seguir.

Entrei na rádio popular para comprar um carregador para o meu Samsung S8 – carregador diferente do ‘universal’, que se empresta a toda a gente porque carrega Samsung, Asus, Alcatel, power banks, tablets…
Peguei num que achava ser o correto, mas teria de confirmar na caixa se era realmente aquele que eu precisava.
Até chegar à minha vez havia fila. Tudo bem, coloquei-me atrás da última pessoa. Caetana queria o carregador, para estragar a caixa.
Ora, não lhe ia dar uma caixa para estragar sem ter a certeza se era aquele carregador que iria trazer para casa.
Disse-lhe que não podia ser. E ela desata num pranto. Começou a berrar, com lágrimas e tudo, e mandou-se para o chão. Peguei-lhe e tentei que se acalmasse, pedi que fizesse adeus à birra, perguntei calmamente porque é que estava a chorar.. Nada resultou!
Paciência, não ia dar-lhe o carregador porque continuava sem saber se era aquele que pretendia e não lhe ia passar mais nada para as mãos com o único objetivo de que se calasse.
Eu sei que é chato para quem está à volta e peço desculpa por isso, mas não vou deseducar a minha filha em prol do bem estar dos adultos que nos rodeiam. Concordo que há exceções, se estivesse um bebé a dormir ali ao lado o caso mudaria imediatamente de figura. Mas não estava. À nossa volta estavam apenas adultos, pessoas conscientes de que se trata de uma criança pequenina, em plena birra!

Se lhe desse algo para a mão que mensagem estaria eu a passar à minha filha? A mensagem de que se ela berrar em público tem tudo o que pretende!

E não, não é assim que eu a quero educar, não são esses os valores que lhe quero passar.
Prefiro que berre e perceba que isso não a leva a lado nenhum, do que dar-lhe tudo o que quer, para que não berre.
Acredito que volte a fazer o mesmo, mas sei que, mantendo eu esta postura, chegará o dia em vai perceber que não adianta berrar, porque só se cansa e continua sem conseguir o que quer.
Se fiquei envergonhada? Nem um bocadinho. Fiquei ligeiramente incomodada porque a minha filha estava a incomodar outras pessoas sem razão. Mas não ia deixá-la estragar a embalagem de algo que eu ainda não tinha a certeza se iria trazer.


Antes tinha estado no espaço casa e dei-lhe um cavalinho para as mãos enquanto esperávamos que trouxessem a árvore de Natal que estava no armazém. Sabia que o poderia deixar cair, mas tinha a certeza de que o iria trazer – inteiro ou já estragado. E, no fundo, trouxe o cavalinho como elemento decorativo com que a vou deixar brincar, se/ quando o estragar irá para o lixo e ficará sem ele.

No meio disto tudo não referi nada sobre prioridades em filas porque, para mim, servem apenas para crianças irrequietas [e grávidas e idosos que precisem]. Já recusei passar à frente várias vezes porque, apesar de ter uma criança de 1 ano, ela está sossegada e faz-lhe bem esperar um pouco, na vida terá de esperar várias vezes. Também já passei quando a miúda estava mais irrequieta.
Neste caso concreto, na rádio popular, a senhora chamou-nos por ela estar a chorar e sim, tivemos prioridade por isso. No espaço casa não se colocou a questão da fila porque não estava ninguém à nossa frente e não é pela prioridade que a árvore aparece sozinha do armazém.

Como assim se chorar não tenho tudo o que quero?!

 

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Carolina Valente Pereira

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