Amamentação: ato natural ou assunto da moda?

Last modified date

Comments: 0

Esta semana celebra-se a semana da amamentação.
Amamentar devia ser [‘só’] uma forma natural de alimentar o bebé.
Será realmente necessário tanta conversa e justificação em torno deste assunto?
Vivemos num mundo onde a primeira pergunta que se faz à mãe de um recém nascido é ‘mama?’ [ou segunda, sendo a primeira ‘chora muito de noite?’ Na grande maioria das vezes, com aquela vontadezinha mesquinha de ouvir a mãe queixar-se de que o bebé dorme pessimamente e passa a noite a chorar. Não imaginam a quantidade de pessoas que me responderam ‘a noite toda? A sério? Que sorte!’ com um sorriso mais amarelo que o próprio sol].
Durante a gravidez percebi que amamentação era um tema muito abordado entre mães. Não esperava ser abordada por desconhecidos que olhavam para a bebé e diziam ‘ai que bebe tão lindo, ainda lhe dá o peito, não dá?’
Muito menos esperava que uma avó me abordasse na sala de espera para a fisiatra, no servico de medicina física e reabilitação, com a minha bebé de 2 meses com a pergunta ‘está a dar biberão… Não dá a mama?’

Pára tudo! Estou com uma recém nascida, no serviço de reabilitação, e a preocupação da senhora é a mama? Really???

Em que planeta vivemos, afinal? Por acaso o motivo que me levou aquele serviço não era grave e até é bastante comum – a Caetana nasceu com um ligeiro torcicolo devido à posição no útero ou ao empurrão que foi necessário para a fazer nascer – mas a senhora preocupou-se mais em saber se a bebé mamava do que saber porque estava ali com tão pouco tempo de vida [referir que à nossa volta só se encontravam pessoas de idade e a grande maioria com muletas ou em cadeira de rodas].

Eu percebo que muitas de vós acreditem que a amamentação cria um gigante vínculo entre mãe e o bebé. Eu acredito que esse mesmo vínculo se cria através da alimentação, seja de uma mama ou de um biberão! E sabem que mais? Miminhos, abracinhos, beijinhos, educação… Tudo isso cria e fortalece vínculo entre mãe e bebé.
Deixemo-nos de extremismos. Não sejamos tão exagerados. Os bebés não precisam de mama para se sentir mais ou menos amados.

Eu sei que o leite materno é melhor que o artificial, não duvido disso nem é essa a minha questão, mas não me venham com o argumento do vínculo! E bebés de biberão também se criam. A Caetana parece bastante resistente mas, devido a ter apenas 11 [quase 12] meses vou dar o meu próprio exemplo. Mamei apenas 1 mês e pasmem-se: Estou viva!

Não estou com isto a criticar quem amamenta. Quem o faz e se sente bem com isso tem todo o meu respeito. Eu própria tentei fazê-lo. Infelizmente tive técnicos tão bons que me induziram em erro, fazendo-me acreditar que talvez o meu leite não subisse [razão tinha o obstetra quando disse, sem recurso a qualquer exame, que o mais certo era que subisse] e, após o nascimento também apanhei a equipa de enfermeiros errada. Quando a melhor, mais querida e mais humana da equipa me ensinou a dar de mamar, já eu estava de saída do hospital e já as colegas dela tinham dado biberão à Caetana.

Mas voltando à minha questão, o que critico é o facto de terem tornado a amamentação num assunto da moda, tirando-lhe grande parte da naturalidade que devia ter.
Eu tenho andado de sapatilhas todos os dias, está calor e ainda não calcei umas sandálias, e não é por isso que ando a publicar fotos das sapatilhas todos os dias a dizer ‘estou de sapatilhas. Apesar do calor estou mais confortável assim. E não me critiquem porque andar de sapatilhas é algo natural e vou fazê-lo enquanto me sentir bem’

Amamentem o máximo que puderem, façam-no em público, tirem a mama com a naturalidade com que eu tiro o biberão, mas não façam disso um tema de partilha diária! Publiquem fotos a amamentar mas não enfatizem que estão a amamentar em público porque é natural. Eu quando tiro uma foto da minha filha, nem sempre legendo exatamente o que lá está.

Se amamentar fosse tão natural como se diz não haveria tanta justificação a dar sobre o assunto!
Pessoas que amamentam, não me levem a mal, mas pensem em começar a fazê-lo naturalmente, sem medo de críticas mas sem se justificarem tanto, pode ser? Naturalizem realmente a questão agindo mais e discutindo menos o assunto!

Se gostaste deste artigo partilha-o nas tuas redes sociais:

Carolina Valente Pereira

Share

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Post comment