A tempestade depois da bonança

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Desta vez veio primeiro a bonança e, quando o momento deveria ser de felicidade, tudo deu uma grande e triste volta.

Pensava que viria contar só coisas boas. Com a bebé está tudo bem. Sim, A bebé! Descobrimos terça feira, depois de saber, na ecografia morfológica de segundo trimestre, que está tudo bem.

Vínhamos contentes, telefonámos às mães e informamos restante família e amigos próximos com uma foto enviada por mensagem privada:
Entretanto, nesse mesmo dia, a avó do H não estava muito bem. Vomitava tudo o que tentava comer..
Telefonámos-lhe a contar que ia ter uma bisneta e o H disse que iria lá à noite.. Eu não fui porque achava tratar-se de uma virose (nada de grave mas não me convém estando grávida).
O H foi lá e tentou levá-la às urgências. Como tinha consulta no posto médico no dia seguinte não quis ir e ficava nervosa cada vez que se falava no assunto.
O H veio para casa preocupado mas mais não podia fazer.
Quarta feira sinto o H levantar-se e logo a seguir toca o telefone dele: pai! O pai a telefonar antes das 8h não podia ser bom sinal.
Atendi e do outro lado ouvi uma pessoa triste e atrapalhada [por ter sido a nora grávida a atender] a pedir se podia dizer ao H que fosse a casa da avó, sem me dizer o que se tinha passado..
Para bom entendedor meia palavra basta: O pior aconteceu!
Ele já só tinha esta avó e o marido. Estamos a falar da avó que ajudou a criá-lo. A avó que nos dava o almoço todos os domingos, só pelo prazer de nos ter ali, porque o avô gosta de receber a família mas não gosta de sair do seu canto.
E depois de um acordar destes segue-se um daqueles dias longos que parecem não querer terminar..
Ninguém sabe o que dizer, não há palavras que tirem a dor.
A mim custou-me porque também já era minha avó, sempre me tratou como neta. Se discutíamos à frente dela [na brincadeira] mandava-nos calar sem tomar partido! Nunca se espera uma notícia destas, muito menos quando se está grávida. O primeiro pensamento é inevitável: já não conhece a “nossa menina”, como sabemos que iria chamá-la! [eu acredito que vai conhecê-la, mas não aqui ao pé de nós e isso é que custa].
E se a mim me custou sendo ‘minha avó’ desde há 5/6 anos, não imagino ao H sendo A avó que ajudou a criá-lo.
E o que fazer numa altura destas? Estou ali ao lado, abraço-o quando sinto que precisa, limpo-lhe as lágrimas.. E assim fiz, e não saí de perto dele em todo o dia!
Porque não se ama só quando tudo corre bem.. Ama-se sempre! Principalmente quando algo corre mal!
E nunca se espera uma notícia destas, muitos menos assim de repente.

Carolina Valente Pereira

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