A (im)perfeição da maternidade

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Tenho lido várias mães referir o lado mau da maternidade. Ou o outro lado, como algumas o apelidam – e hoje apetece-me escrever sobre o assunto.
A maternidade tem, para mim, apenas um lado mau: as doenças – tanto ver a Caetana doente como estar eu doente e ter dificuldade em cuidar dela.

Tudo o resto, a meu ver, é natural, faz parte!

As noites: Caetana não é miúda de dar más noites, graças a Deus, nunca foi [talvez o facto de não ter mamado esteja relacionado, não sei]. Mas há exceções. E ultimamente acorda a chorar muitas vezes [dentes? cólicas? pesadelos?] não sabemos. Como dorme conosco é mais fácil de resolver: miminhos, abraços e continuamos a dormir.
E dormir conosco é bom? Sim, é ótimo! É perfeito? Nem por isso. Muitas são as manhãs em que acordo cheia de dores no corpo, principalmente no pescoço, devido a más posturas noturnas.
Não estou com isto a queixar-me, estou apenas a constatar factos! Aliás, co-sleeping (ainda) é uma escolha nossa. Não fazia sentido vir aqui queixar-me quando nunca tentámos outra opção.

Comer: Caetana não é péssima para comer, mas está longe de ser daquelas crianças que come tudo e mais alguma coisa. Come a sopa (ainda com proteína) – com vídeos do YouTube à frente – e pouco mais. Come imenso com as mãos, mas acaba por deixar cair mais do que o que come. E então? Tem 16 meses, não seria justo ver isso como algo mau só porque se suja!

Sim, o meu pijama tem nódoas de leite – e também não vejo como algo mau. Se fosse trocar de pijama cada vez que isso acontece não ganhava para pijamas.
E quando me suja a camisola pouco antes de sair de casa? Epah, acontece. Se alguém perguntar faço de conta que ainda nem me tinha apercebido. Estou brincar, já aconteceu [também já aconteceu não reparar mesmo] e disse abertamente ‘epah sim, foi mesmo antes de sair de casa, já não me apeteceu mudar de roupa por isto’ E sou mãe de uma criança de 16 meses, nada disto me soa assim algo do outro mundo! (claro que não vou para a rua com uma nódoa gigante, estamos a falar daquelas marquitas, junto ao ombro, de quem se encostou com a boca suja de leite).

O meu corpo: Nesse aspeto tenho algum cuidado mas não, (ainda) não faço ginásio. Apenas herbalife nutrition + alimentação saudável. Ok, tive excessivos cuidados com a alimentação durante a gravidez (medo da toxoplasmose) por isso saí da maternidade sem barriga. A criança saiu e a barriga foi à sua vida com facilidade e sem cuidados extra, no décimo dia de pós parto já cabia nas minhas calças de pré-gravidez. Depois é que andei 4 meses a estragar-me com pizas até por um ponto final e tratar do assunto.

Birras: Sim, faz bastantes, e em público! Vergonhoso? Não acho. Ficarei envergonhada se ela se atirar para o chão a berrar… Com 20 anos! Com 16 meses fá-lo com frequência e eu limito-me a pousá-la no chão para que descanse. Enquanto ela esperneia e berra, eu estou ali ao lado, à espera! A seguir, quando já está mais calma, também lhe costumo dar um abraço e sim, ajuda muito.

Escolhe a direção oposta: Frequentemente. Vou atrás, tento convencê-la a seguir o lado que pretendo. Quando tenho mais tempo (ok, e paciência) ando atrás ou paro à espera até estarmos no caminho certo. Quando tenho pressa e/ou menos paciência levo-a ao colo. Para mim, nada de anormal aos 16 meses. O único erro aqui é meu – ter pouco tempo/ paciência.

Já enumerei alguns pontos ‘menos bons’ da maternidade. Eu não os vejo como maus, considero-os normais para quem tem filhos bebés/ pequeninos. Alguns mais constrangedores que outros, mas nada de transcendente.
Confesso que me faz uma certa confusão ler determinadas coisas. De repente, parece que somos obrigadas a enumerar o lado ‘menos bom’ da maternidade, como se o objetivo fosse assustar adultos que ainda não têm filhos.
E não, não falo de pais que transformam as dificuldades em anedotas. Falo dos outros, que se queixam só porque vêm outras pessoas falar mais das palhaçadas do que das birras dos filhos.
Quando, no fundo, é tudo uma questão de perspetiva! Antes de ser mãe, eu já sabia que as noites iam mudar, as horas de refeição nunca mais seriam as mesmas, as crianças fazem birras, o corpo da mulher muda. A meu ver nada disto deve ser apontado como mau. E não ganhamos absolutamente nada em estar constantemente a enumerar os defeitos das nossas crias. Principalmente: não é por mostrarmos mais vezes o lado bom da maternidade que estamos a esconder os aspetos ‘menos bons’. Simplesmente preferimos focarmo-nos nos acontecimentos positivos, só isso!

Não é por mostrar mais fotos da minha filha a sorrir que quero fingir que ela não faz birras.

Apenas gosto mais de ver o feed do instagram com sorrisos do que com lágrimas e caras de birra! E o sorriso eu registo, a birra é mais difícil – costumo estar mais ocupada a tentar resolvê-la!

Claro que tinha que vos deixar com a foto de um sorriso
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Carolina Valente Pereira

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