4 e 5 de agosto de 2017

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Dia 4 de agosto de 2017 o pai cá de casa tinha uma tac e um raio-X para fazer no hospital de Castelo Branco.
Nessa manhã algo me disse que deveria acabar o saco de maternidade, para passar a andar no carro [o meu, o da Caetana estava pronto há 8 semanas].
Assim fiz. Acabei o meu saco, levei os dois para o carro e, à tarde, fomos então fazer os exames do pai.
Tinha falado com uma rapariga, pelo instagram, cuja filha nasceu antes do tempo devido a falta de líquido amniótico.
Eu sentia sempre as cuecas húmidas. Ok, estando no pico do verão, ponderei que pudesse ser apenas transpiração. Mas eu sou uma pessoa bastante cautelosa e nisto da medicina gosto de dizer tudo aos médicos. Por vezes, há pormenores que não nos parece fazer sentido perguntar e acabamos por obter uma resposta contrária à que achávamos óbvia antes de arriscar fazer a pergunta.
Vai daí que, no auge das minhas 38 semanas, achei melhor subir ao quinto piso e pedir para ser observada.
O pai achou parvo e desnecessário mas respeitou e nada disse sobre o assunto.
Cheguei na hora de almoço do médico. Esperei que regressasse e fui atendida. Um médico com primeira impressão de carrancudo que acabou por se revelar excelente pessoa [dois dias antes da minha alta, enquanto tomava banho, bateu à porta só para dizer ‘Então até um dia destes e muitas felicidades. Eu amanhã estou de folga e entretanto você deve ter alta’].
Observou-me e disse que estava tudo certo. Ainda tinha todo o rolhão mucoso [eu afirmava já ter perdido uma parte] e, dessa forma, não podia estar a perder líquido. Já que estava ali, o Dtr quis fazer também uma ecografia.

E o panorama mudou completamente: ‘você não está a perder líquido mas também não o tem. Já não sai daqui’.

Não tinha chaves do carro, o Dtr mandou pedir ao pai que trouxesse tudo. Entretanto também perguntou quando é que eu voltaria a ter consulta. Quando respondi que seria terça feira [estando nós numa sexta], ele disse que o mais certo seria a bebé não chegar até essa data. Deixaria de a sentir mexer durante o fim de semana e, quando fosse ver o que se passava, seria demasiado tarde.
Ok, liguei ao Hugo e disse apenas ‘quando puderes vai ao carro e trás os sacos de maternidade sff’ e fiquei à espera que ele fizesse os seus exames. Não o queria alarmar por telefone, e ele ficou a pensar que eu tinha começado a ter contrações.
Entretanto esqueceram-se dele na sala de espera e, como eram horas de visita, a minha mãe chegou primeiro ao pé de mim [não, a minha mãe não trabalha no hospital e nem sequer lá estava].
Falou com o médico e veio ter comigo. Estava ao telefone a contar à minha avó quando entrou o Hugo, que ouviu logo ‘O Dtr foi bem clarinho, isto foi por Deus porque a bebé não resistia até à próxima consulta’ e eu vejo-o a ficar em pânico, sem perceber nada do que se estava a passar.
Lá ficámos nessa tarde. À noite ele voltou para casa e eu fiquei lá a dormir, a maior parte do tempo ligada ao CTG para ir controlando a bebé e as supostas contrações que não apareciam.
No dia seguinte, por volta das 10h introduziram um cordão para provocar o parto. Disseram para não chamar logo o pai porque teria tempo de o fazer quando o corpo começasse a dar sinais. As visitas eram a partir das 14h por isso não havia necessidade de o chamar de manhã sem certezas de nada, até porque não o deixariam entrar sem eu estar mesmo em trabalho de parto.

Passou todo o dia e as contrações nunca chegaram. Sim, fui mãe sem saber o que é uma contração!

Às 18h30, ainda durante a visita, fui novamente observada. Continuava a não haver qualquer sinal de parto natural e o médico disse que não podíamos esperar mais. Não sabíamos se eu tinha deixado de produzir líquido amniótico ou se o tinha perdido. Em caso de perda de líquido há um período máximo para agir, de modo a evitar possíveis infecções. E foi assim que me foi dado o veredito: A Caetana iria nascer de cesariana!
E eu, que sou uma maricas de primeira e já estava com medo das dores do parto natural, oiço isto e fico em pânico!
Não me perguntem porquê, acho que tinha medo de ter dores, não sei. Só seu que saí da sala de observação e tinha o Hugo todo sorridente a dizer ‘Boa amor, é cesariana como tu querias’ e eu em pânico, com o olhar aflito.
Colocaram-me a algalia e eu só conseguia repetir que me estava a fazer impressão. Perguntaram se repuxava e eu repetia ‘não mas está a fazer muita impressão’ e assim fui para o bloco, a queixar-me que nem uma criança [shame on me].
O bloco era gelado, taparam-me com mantas e perguntaram se estava bem. Respondi que não, estava a ferver, cheínha de calor, e destaparam-me.
Mandaram-me curvar as costas para a epidural. O meu corpo tinha espasmos, mandavam-me estar quieta. Eu estava, eram espasmos e os espasmos são involuntários. Perguntaram se preferia anestesia geral, não quis, queria estar acordada mas estava tão nervosa que parecia uma criança pequenina.
Assim que conseguiram dar a epidural tudo passou. Fiquei super calma e aproveitei o momento.

A Caetana nasceu às 19h36 e lembro-me de pensar ‘fogo, os bebés costumam nascer feios, mas ela é tão linda’, por ser cesariana saiu limpinha, o que chega a ser estranho.

A princesa foi para o quarto com o pai e eu fiquei a ser cozida, depois do médico procurar e confirmar ‘já não tens apêndice? Andava aqui à procura dele para tirar’.
Quando cheguei ao quarto, a rapariga da cama ao lado contou-me ‘achei tanta piada ao teu marido. Olhava embevecido para a bebé e só dizia:’ Como é que saiu uma bebé tão grande [48.1 cm, bebé na média normal] de uma barriga tão pequenina?’

Duas das primeiras fotos da Caetana
Aquela primeira foto ‘oficial’ que se manda aos amigos.

De repente já lá vai um ano. Já tenho uma macaquinha de imitação andante, amorosa e com energia para dar e vender.
Toda a gente sabe que o tempo voa, mas voa ainda mais depressa quando temos filhos. Nascem num dia e, no dia seguinte, já têm um ano.

Parabéns meu amor, que seja o primeiro de muitos!
Tudo faremos por ti, para que sejas sempre muito feliz e realizada em tudo o que desejares pela vida fora!

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Carolina Valente Pereira

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